sábado, 31 de outubro de 2009

Caçadores de Almas


- Há quantos ciclos ele está nessa casca?!

- Creio que há uns cinquenta ciclos, do nosso mundo. Desse uns dezoito ciclos.

Joel está no chão, deitado próximo a uma poça de água,em um dos muitos becos sujos de Curitiba. Sua mochila ainda está do seu lado, seu caderno está um pouco para fora. Sua morte foi lenta e desesperadora. Foram dez barulhos ouvidos, dez impactos no peito e abdômem. Sem defesa, sem alardes, sem culpados, sem um por quê.

Eram vinte e três horas quando ele saía da Universidade Federal Do Paraná. Despediu-se de um amigo e como sempre seguia na Rua General Carneiro. Gostava de pegar o primeiro ônibus que passava logo que saía, nunca se metia em baladas, até mesmo porque a sua condicional não o permitia.

Seus passos eram largos como sempre. Ele não podia se atrasar. Uma breve carreira era como um ritual e até a Rua Amintas de Barros ele não parou. Não havia nada estranho aos seus ouvidos e olhos, não até uma explosão que aconteceu exatamente em frente a um pequeno estacionamento do Instituto de Medicina e Cirurgia do Paraná. 


Os milésimos de segundo em que seu cérebro ficou acordado foram suficientes para ele ter sensações das quais ele nem mesmo sabia que existiam. Uma força descomunal, um olfato nunca tido, uma visão mágica. Seu corpo parecia ser outro. Mas foram só alguns milésimos de segundo e então, ouviram-se dez barulhos que se seguiram de dez impactos no corpo de Joel e de repente ele não sabia mais onde estava.

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Isso me parece familiar, mas onde estou? Não consigo me lembrar. Que lugar é esse?

Essas perguntas enchiam sua cabeça. Em um instante estava em uma rua da cidade que ele conhecia tão bem, em outro no meio do nada, em um campo de vegetação rasteira e seca.  Um campo vasto com montanhas enormes fechando tudo. O vento estava sereno, batia levemente em seu corpo e aquilo tudo lhe fazia bem. O cheiro lhe fazia bem. Dava-lhe paz. Mas de repente o vácuo começa a sugar seu corpo, e violentamente um desconforto toma conta de tudo. Ele tenta lutar, imprime força, quer fugir daquilo que não sabe o que é, mas nada que fazia parecia adiantar; Era fraco para aquela força.

Ele sente seu corpo novamente no chão, os cheiros que estão entrando agora no seu nariz, são familiares, mas não são aqueles de alguns segundos atrás. Ele já sabia, estava de volta à rua onde todas aquelas sensações estranhas tinham começado.

- Ele se extinguiu, não será mais preciso esperar.

A voz feminina que fala de uma tal extinção, vinha de próximo de seu corpo, ele sentia isso e queria se mexer mas não sabia por que seu corpo não respondia. Uma dor estranha cobre seu corpo como  se fosse suas vestes, lhe toma por completo.

O corpo de Joel está no chão com dez perfurações aparentemente de balas e depois de um relutante esforço seu corpo responde.

“Ele mexe-se, temos que extingui-lo.” Os sons vinham de distante, possivelmente há cinco ou sete metros, sentia Joel, então um calor insuportável toma seu corpo e desse instante em diante ele estava fora de controle.

Explosões irrompem o asfalto, pedaços da pista  atingem tudo em volta, cortes profundos são desenhados no chão em um perímetro de vinte metros.

Ganglo e Virg atacam incessantemente.

Ganglo é um ser grande, um homem de um corpo brutal, dois metros e cinquenta de altura. Cada parte do seu corpo é absurdamente musculosa, seus braços são cobertos por uma espécie de armadura metálica e nela pedras brilhantes fazem os enfeites. Duas pistolas estão em suas mãos sendo usadas sem qualquer pudor, delas não saem tiros comuns mais sim de pura luz e energia. Virg é uma mulher também grande, porém de um corpo bem feminino, cheio de curvas. Se não fosse pelo seu instinto assassino ela seria até bem sexy, mas esse não é o caso. As duas espadas que dançam no ar são tão letais quanto os olhos azuis daquela mulher. Sobre suas lâminas uma cor vermelha é ofuscante. Um pérola de cor esverdeada é um ornamento que fica no meio das espadas. Lindas e mortais.

O desespero era mais que evidente nas palavras e ações dos dois que atacavam o garoto.

- Não podemos o deixar despertar, ou estarmos mortos - Grita Virg enquanto tenta acertar suas espadas – Não podemos!...

- Infelizmente eu sei disso.

Responde Ganglo, enquanto atira contra um ser de aparência tão frágil.

Se Joel soubesse o que estava fazendo ou o que estava acontecendo talvez até se assustasse, mas não era o caso. O seu corpo estava com dez grandes perfurações, que até dois minutos atrás sangravam, ele estava morto no chão e agora com um tipo de olhar paralisante, pupilas embranquiçadas azul celeste, movimenta-se tão velozmente quanto a luz. Conseguindo livrar-se de todos os ataques expelidos por Ganglo e Virg. Ele está intacto e com certeza não é mais o mesmo garoto de algumas horas atrás.

Uma luta tremenda e ímpar acontece em um pequeno espaço, em frente a um prédio do governo do Paraná. Se  tudo que ali em volta se encontrava não estivesse paralisado por um tipo de magia, o tumulto estava feito. Porém desde que aqueles dois seres esquisitos surgiram do nada, rasgando o espaço que conhecemos como ar, tudo foi paralisado, eles não queriam testemunha. Com certeza vieram para matá-lo, mas algo estava dando errado. Tanto o homem quanto a mulher suavam muito, estavam mais que ofegantes, estavam a cada segundo ficando mais fracos. Em um tempo considerável desde que Joel foi atingido por eles e foi ao chão, ele ainda não tinha aberto à boca, e quando abriu não foi de uma sutileza normal.

- Já cansaram Ganglo e Virg? – Pergunta entre sorrisos - Pensei que tinham melhorado... Vou facilitar pra vocês. Acho que já brincamos o bastante.

Enquanto os atacantes de Joel ouviam os últimos sons de sua boca, também sentiam seus corpos queimarem com algo incomparável. Ele os atingia com uma luz a qual deixou os dois sem mais qualquer tipo de reação...



Continua...

3 comentários:

Estevam disse...

Gostei bastante do texto,super criativo!!! e arrepiante, e espero eu continuar lendo o resto o conteúdo do site!!!
parabéns!! gostei da estrutura do site!! mto boa!!!

Estevam..

Zé do BRejo disse...

Achei muito interessantes seus textos,gostei desse post.

Parabens

Abraços!!!

Elivandra disse...

Nossa q texto emocionante, super criativo...Estão de Parabéns, um texto muito rico e bastante interessante!!!

Parabéns mesmo!!!


Elivandra

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Blog criado para divulgar contos e crônicas, pautados nos mais diversos temas, escritos de uma forma mais direta e dinâmica. Sérgio e Crisla buscam assim acabar com o medo daqueles que não se aventuram em ler uma boa história por não quererem enfrentar páginas e mais páginas dos bons livros. Dar emoção em poucas linhas, prender a atenção com uma boa narrativa, são metas que os autores querem alcançar com o blog, onde amor, política, vampiros, agentes secretos e seres mágicos estarão sempre por aqui. Bem vindos ao nosso blog, aproveitem cada texto que criamos e muito obrigado por estarem aqui.